terça-feira, 5 de abril de 2011

|::| Sobre tempos, comemorações e conexões

Semana passada foi meu aniversário, sabem? Aquela data em que alguns insistem em me tratar diferente, embora eu não entendesse bem o porquê. Afinal, para mim, a princípio, meu aniversário significava apenas o resultado direto do fato de que existe um ciclo de tempo a que chamamos "ano" e que se repete, por incrível que pareça, anualmente.

O interessante do tempo e dos efeitos de sua passagem sobre nossa percepção das coisas, é que eu tenho visto que há certo valor nas comemorações de datas, embora enquanto cientista social já estivesse mais do que claro na minha mente o papel dos ritos e das comemorações. Sim, tenho mudado de opinião e, neste ano, os abraços de pessoas estranhas e as mensagens que me enviaram nem me incomodaram. Na verdade, cheguei à conclusão de que para o próximo ano, quero muitas festas, presentes e pessoas me bajulando. Quererei pessoas dizendo que a minha participação no mundo é, de alguma forma, impactante.

O aniversário passou, me deparei com a realidade de que definitivamente estou na fase dos vinte e muitos anos e notei que minhas preocupações têm se alterado. Acredito que como reflexo do momento de vida, de uma certa estabilização em alguns aspectos, passo a sentir uma necessidade crescente de me transbordar para fora do meu pequeno mundo. Talvez meus 28 anos já sejam suficientes para que eu me arrisque a opinar mais... Afinal, venho reparando em tanta coisa que considero absurda acontecendo ao meu redor... Tem até deputado se referindo negativamente a parcelas grandes da população. E vejo que há pouca gente pensando sobre o quanto esse tipo de coisa impacta a nossa sociedade.

Enxergamos muito pouco a extensão dos efeitos que cada ação individual possui. Aprendemos a buscar nossos interesses pessoais, a escolher o que o "eu" quer comer, vestir, falar, experimentar, e nesse processo muito cheio de umbigocentrismo, aparentemente estamos menos ligados aos efeitos em massa dos comportamentos individuais.

Tenho estado particularmente chateado com a falta de sensibilidade e de uso da inteligência de algumas pessoas que possuem certa evidência social. Acredito que a inteligência é um recurso mental do qual todos somos dotados, mas aparentemente o uso que fazemos dele depende dos interesses de cada um.

Existe tanta diversidade no que diz respeito a comportamentos, pensamentos e estilo de vida, que fica muito difícil definir o que é um estilo de vida "humano". Mesmo se olharmos para um grupo pequeno, uma família, ou amigos, ainda assim encontraremos várias diferenças e particularidades. Embora haja grupos que compartilhem de fundamentos comuns, a forma como cada um se apropria dos elementos culturais e os frutos dessa absorção individualizada da cultura gera tantos estilos de vida possíveis quanto há pessoas no mundo. Mas, mesmo assim, há aqueles que insistem em agrupar as pessoas e condenar grupos inteiros devido ao seu "estilo de vida".

Bom, vamos usar um pouco a cabeça e pensar, a título de exemplificação. Na África há uma parcela grande da população infectada pelo vírus do HIV. Bom, então, se alguém não quiser ser HIV positivo, deve evitar ter um "estilo de vida africano"? Quando Durkheim escreveu o livro "o suicídio", ele constatou que a taxa de suicídios entre protestantes é a maior entre as religiões. Então, como uma das medidas para redução do suicídio devemos evitar o "estilo de vida protestante"? Não sei para vocês, mas para mim faz sentido que o estupro de mulheres é feito, geralmente..., por homens de orientação heterossexual. Isso quer dizer que o "estilo de vida heterossexual" leva ao estupro?

Depois desse exercício, vamos voltar ao tema do começo. Voltar ao fato de que estamos muito pouco atentos ao efeito que cada um tem sobre o todo. Considerando isso, qual o efeito que eu produzo cada vez que eu aceito, repasso e compactuo com declarações e dizeres completamente infundados, não pensados e irracionais como os citados acima? A todo instante há pessoas dizendo que os pobres são inferiores, ou que os negros são inferiores, ou que as mulheres são inferiores, ou que os evangélicos são inferiores, ou que os gays são inferiores, ou que os idosos são inferiores. E crueldades persistem porque há gente propagando falsos entendimentos do que é a vida humana. Há muita gente querendo fazer calar a voz rica e bonita da diversidade. Seria melhor se soubéssemos nos calar quando o que temos a dizer é uma completa babaquice.


sexta-feira, 25 de março de 2011

|::| Sobre as tantas crueldades possíveis

Eu considero inocente dizer que precisamos acabar com o preconceito e a intolerância, pois acredito que estes façam parte da forma como a nossa mente funciona. Mas, considero, no mínimo, uma baita preguiça deixarmos que eles se manifestem livremente, como se fossem intocáveis à razão, à reflexão e ao julgamento. Se não houvéssemos minimamente aprendido a contornar algumas de nossas emoções lá no passado longínquo, a vida em sociedade não existiria.

A História está repleta de eventos que deveriam nos tornar mais sensíveis à possibilidade de que inevitavelmente nós nos enganamos a respeito dos nossos julgamentos. E, frequentemente, esses enganos fazem com que um número grande de pessoas pague um alto preço. Já se pensou que as mulheres fossem inferiores (sim, e nem faz muito tempo, acreditam?) Já disseram que os índios não possuem alma e, portanto, poderiam ser escravizados ou mortos, sem qualquer problema. Já disseram até que a cor da pele determina se alguém é melhor ou pior, mais ou menos capaz e inteligente. E, repito, nem faz muito tempo que essas coisas eram tomadas como completas verdades. Ainda hoje encontramos resquícios dessas crenças. Ainda hoje encontramos crueldades herdadas por causa de julgamentos pouco refletidos, pouco pensados.

A pergunta é: quanto nós realmente temos refletido sobre nossas posições a respeito da vida humana?

Aparentemente, ainda pouco. Quando vejo uma notícia de que um deputado federal recebeu ameaças de morte por defender leis que procuram garantir alguns direitos a uma parcela significativa da sociedade, realmente vejo que há muito a ser aprendido por todos nós.

A respeito da notícia sobre o deputado Jean Wyllys e sua luta pelos direitos de homossexuais e transgêneros, o que me parece ainda mais preocupante, é que as ameças que ele recebeu possuem um forte teor "religioso". Não precisamos ser grandes conhecedores da História para sabermos que dentre todos os preconceitos pouco pensados, alguns dos mais cruéis são os que se escondem sob uma obviamente equivocada interpretação do que vem a ser "a vontade de Deus". Quantas pessoas já foram mortas e perseguidas em nome de algum deus? Aprendemos nada com tudo o que já aconteceu no mundo? Inquisição, ditaduras, nazismo... realmente não aprendemos nada?

"Em nome de Deus você merece morrer" foi uma das ameaças recebidas pelo deputado, vindas de pessoas que se declaram "evangélicas". Daí eu me pergunto: se a base da mensagem evangélica é o amor, que amor é esse que está movendo a vida dessas pessoas que se dão o direito de declarar quem deve ou não morrer? E pior, fazendo isso em nome de Deus?

Ainda há muito a avançarmos quanto a várias questões. E as mais complicadas são as que se misturam a crenças e valores descuidados e pouco pensados. Cada um de nós é responsável por este mundo, embora seja muito mais fácil entregá-lo aos políticos, aos líderes religiosos ou aos deuses que cultuamos. Afinal, nós não queremos nos comprometer. Não queremos assumir responsabilidades, certo?

Fingimos que nada disso nos diz respeito para depois podermos sentar, com a consciência "limpa", com nossos amigos e familiares e reclamarmos do mundo e de como as coisas vão mal por aqui....

Ah, e a culpa, é claro, nunca é nossa.

quarta-feira, 23 de março de 2011

|::| Por onde anda Kelson Fernandes?

Algum tempo atrás, verifiquei pelo Google Analytics, que algumas pessoas haviam descoberto este meu humilde projeto de blog através do sistema de busca do Google. Fiquei intrigado, curioso quanto às palavras que eram inseridas na pesquisa. Descobri, para infelicidade do meu ego que estava quase se inflando, que muitos chegavam aqui simplesmente por digitarem "lagartixa" no Google. Ou seja, graças à Tíxia (quem não a conheceu, clique aqui e aqui) o meu blog recebeu algumas visitas extras...

Mas o mais interessante é que algumas pessoas realmente chegavam ao blog procurando por "Kelson Fernandes". O que mais me intrigou foi que alguns escreveram "por onde anda Kelson Fernandes?" no Google.

É um pouco perturbador imaginar que há pessoas que não conheço que estão curiosas por saber por onde eu ando. Na verdade, nem sei se elas realmente estavam me procurando, já que poderiam estar em busca de qualquer outro "Kelson Fernandes". Mas o fato é: pessoas comentam e ficam curiosas por saber da vida de outras pessoas. Para mim, esse fato não é novidade, mas nem por isso eu deixo de me intrigar cada vez que alguém comenta a minha.

Como a maioria de vocês sabe, durante cerca de 8 anos cantei num grupo musical de uma igreja Cristã, e se procurarem por mim, vão me encontrar no youtube. Nesses anos, fiz vários amigos que me acompanham pessoalmente ou virtualmente até hoje (aliás, muitos acompanham este blog e eu agradeço o carinho). Há diversas e variadas razões pelas quais me desliguei do grupo, e uma das principais é, para a decepção dos caçadores de fofocas, muito simples: quando retornei ao grupo em 2004, planejei que ficaria apenas mais 3 anos.. Acabei ficando 5 anos. Depois disso, meu plano era me dedicar a outras atividades. E foi assim. O grupo exigia dedicação e compromisso, e como em relação a todos os compromissos que assumo, para mim não faria sentido estar em algo sem me dedicar completamente. Sabendo que não conseguiria dedicar sempre o mesmo tempo que eu vinha dedicando, escolhi sair e abrir espaço para que outras pessoas participassem.

Foi uma época excelente, mas que passou. Ainda recebo muitos convites nas redes sociais para ingressar na lista de amigos de pessoas que me conhecem do grupo. Mais cedo ou mais tarde, acabo aceitando, mas um pouco incomodado com o fato de que muitos chegam com expectativas irreais a meu respeito.

Neste blog, exponho muito do que eu penso e de quem eu sou. Muitas das minhas opiniões são polêmicas em alguns grupos. Desde o que penso a respeito do que é música religiosa e quais os limites (ou a ausência deles) entre o que o religioso e o profano, até posições relativas à política, aos direitos homossexuais, às cotas em universidades, etc. Quem tem estado perto de mim ao longo dos anos, sabe que sempre questionei algumas coisas. Entretanto, talvez por eu ser um grande defensor da diplomacia, do respeito e da paz, acabo expondo minhas opiniões de uma forma aparentemente não tão firme.

Anos atrás, eu cheguei a participar de discussões infinitas sobre questões polêmicas. Com o tempo, percebi que a melhor forma de demonstrar o sentido de minhas idéias é vivendo de acordo com elas e deixando que as pessoas que me cercam tirem suas próprias conclusões. Acredito que esteja funcionando bem e posso me considerar uma pessoa bastante abençoada por estar cercado de amigos muito especiais, que são o fundamento para que eu dê novos passos rumo aos planos e sonhos que vou construindo ao longo do tempo.

E um desses planos, é expor de forma mais clara, e talvez até um pouco combativa, algumas das coisas em que acredito. Algumas das minhas opiniões. Opiniões que foram formadas ao longo de toda a minha vida e que são significativas para mim.

Espero que curtam a nova fase deste blog =D

Para concluir, preciso contar essa para vocês, porque foi a melhor de todas as fofocas sobre mim.... Ouvi dizer que eu, o Kelson, parei de cantar porque me tornei alcoólatra e vivo nas ruas, dormindo nas sarjetas. Isso me faz pensar: "poxa, trabalho um monte, pago uma quantia considerável pra viver aqui no meu lar, doce lar, e as pessoas acham que eu durmo em qualquer calçada por aí?!".

Não sei por onde anda o "Kelson Fernandes", mas eu costumo andar pelas calçadas e atravessar as ruas pela faixa de pedestres. Afinal, a minha vida é muito valiosa para mim.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

|::| Os limites da busca por saber

Não sei em que momento uma certa vontade de saber passou a fazer parte do conjunto de características que compõem quem que eu tenho sido. Talvez, para mim, perceber que com frequência respostas simples eram pouco efetivas em me deixar satisfeito, tenha me causado o incômodo que me levou a procurar por respostas significativas. Passei pelas perguntas do tipo "o quê?", para as perguntas "como?" e cheguei também àquelas mais complexas como as do tipo "por quê?" ou até "para quê?", sempre motivado pela crença, tão enraizada na cultura em que minha personalidade foi construída, de que saber mais é bom e quanto mais, melhor.

Desde as perguntas que me levaram a dar nome às coisas e até descrevê-las, até as perguntas que levariam a uma compreensão mais ampla dos sentidos e propósitos, sempre estive diluindo o meu tempo na análise das tantas respostas possíveis. Vejo, não há muito tempo, que para um grupo grande de perguntas há quase tantas respostas possíveis quanto há pessoas no mundo. Não que eu devesse esperar algo de diferente, afinal, não é de hoje que sei que nada mais natural do que haver tantas respostas, dado que são resultado dos conjuntos absolutamente individuais de percepções, experiências e aprendizados dos seres humanos. E nem preciso ser um antropólogo para saber que cada conjunto único de experiências produz um ser humano único. Único em percepções, em redes de conexões de significado, em julgamentos, em experiências e, por que não, em respostas.

O que nos confunde e atormenta é conviver com essas tantas respostas possíveis. E mais que isso, vivermos cercados por comportamentos forjados no interior de agrupamentos de respostas diferentes das nossas. Quantas vezes nos pegamos surpresos e incomodados com atitudes tão estranhas, tão incômodas e até respulsivas - todas resultantes de visões de mundo muito diferentes das nossas?

Mas é interessante notarmos que no meio de tanta diferença há também tanta coisa em comum. Nossas buscas por sentido, as perguntas que fazemos e as respostas que escolhemos ter podem ser muito diferentes, mas todos somos marcados por uma certa fragilidade emocional, mais evidente em alguns de nós do que em outros, que nos torna, de certa forma, muito amáveis. E olhando para os seres humanos e todas as suas inconstâncias, e egoísmos, e virtudes, e fraquezas, e para aquilo tudo que está entre o bom e o ruim, percebo que somos todos tão cúmplices dessa nossa existência. Fica um pouco difícil não enxergar o ódio, o ressentimento, o egoísmo e os preconceitos como o resultado das inúmeras ilusões sob as quais nos escondemos.

Nós nos escondemos das verdades mais reveladoras e agimos como se estivéssemos isolados do universo, sozinhos. Como se o fato de sermos, cada um de nós, seres únicos, condenasse todos os humanos à solidão e ao estranhamento. Escondemo-nos das verdades mais reveladoras frequentemente buscando saber de tantas coisas que nem precisaríamos saber.

Após tanto procurar respostas e tanto acreditar que saber mais é sempre melhor do que saber menos, tenho desconfiado de que caminho para a crença de que, pelo menos para mim, faz mais sentido saber julgar que verdades e que conhecimentos são mais importantes para que meu equilíbrio e a minha saúde emocional sejam mantidos. Chego à conclusão paradoxal de que embora a busca por saber esteja na base de quem eu sou, não quero saber tudo agora. Quanto mais vivo e mais reconheço a fragilidade da minha consciência, mais percebo que algumas poucas verdades são bastante suficientes, e que muito do que quero saber decorre de uma curiosidade infantil, pouco produtiva, pouco segura.

Talvez, a sabedoria que tanto perseguimos vem de sabermos articular o conhecimento das coisas com o conhecimento de nós mesmos para podermos julgar bem com que verdades estamos prontos para lidar. Para sabermos julgar quais são os limites para o nosso conhecimento.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

|::| Algo assim

Olho para fora e vejo que todos estão ocupados procurando não parar. Evitando o silêncio porque sabem que ele traz a percepção de que caminham meio que ao léu, sem sentido, sem propósito, sem motivos. Há também quem dedica a vida à busca por sentido, ou vasculhando as bibliotecas e lotando os templos e igrejas, ou procurando experimentar tudo o que excita os sentidos e altera a mente. Todos, sem exceção, conscientes ou não, procuram algo que os faça sentir que, afinal de contas, viver não é qualquer coisa. Mas e se for?

Ser qualquer coisa não é pouca coisa, não, ainda mais quando estamos nos referindo à vida. Ela que é tão complexa, cheia de mistérios, de encantamentos, de reviravoltas e surpresas. Talvez nosso grande desafio seja nos darmos conta de toda essa falta de propósito e permanecermos sãos o suficiente para construirmos algum enquanto driblamos o medo e todas as falsas percepções que ele implanta em nossa mente. Mente, aliás, muito mais frágil e dominada por emoções instáveis do que estamos prontos para assumir.

É, posso dizer que até onde a minha compreensão vai neste ponto da minha vida, enxergo a busca por sentido, o medo e a instabilidade. Seria desolador se eu não percebesse também que a estranha combinação disso tudo gera algo de interessante, algo de bom. Algo de convidativo.

E essa é a vida, da forma como eu a percebo agora: um convite. Um convite a mais vida. Um convite a continuar nessa oscilação maluca entre fragilidades, entre surpresas e mistérios. E me sinto até um pouco bobo de falar de algo tão grandioso.

domingo, 9 de janeiro de 2011

|::| Das mudanças

Ano recém iniciado. Tantas resoluções e decisões para o novo ano, certo? A virada é como que um marco, um ritual esperado, através do qual você acredita que sua mentalidade será tão radicalmente transformada ao ponto de gerar em você um novo comportamento no momento em que os ponteiros transitarem das 23:59 para as 00:00 do dia primeiro, como uma espécie de mágica.

Essa história, que se repete anualmente, é bastante irônica, talvez por ser triste e engraçada ao mesmo tempo. Triste porque as resoluções feitas se provam completamente impraticáveis logo que o ano se inicia. E engraçada porque um ano depois você volta a acreditar. Volta a acreditar que mudanças acontecem num passe de mágica. Volta a acreditar que é mais forte e resoluto do que você realmente é. Volta a acreditar que é possível acreditar...

Todos têm seus sonhos e esperanças para o novo ano. Tenho os meus também. Alguns eu manterei só para mim, outros dizem respeito a este blog.. Quero conseguir postar mais. Mesmo já tendo me prometido isso muitas vezes, considerando que desde o ano de 2000 mantenho um site pessoal na internet com o objetivo de compartilhar meus textos, continuo acreditando. De qualquer forma, algumas mudanças já aconteceram. E tenho algumas novidades:

A primeira delas, é que estou migrando o blog para um novo endereço:http://semeusouvidosfalassem.blogspot.com Como verão, além de um novo endereço, o blog também está com uma cara nova. Não muito nova, eu confesso, mas sofreu algumas plásticas e recebeu alguma maquiagem... Acho que ele andava meio pálido nos últimos tempos.

A segunda novidade é que agora o blog tem uma página no Facebook (por favor, curtam!!!). O objetivo é criar uma certa dinâmica entre as pessoas que têm acompanhado o blog. Nem sempre (na verdade, quase nunca) consigo responder aos comentários que são feitos no blog. Espero que através da página no facebook eu consiga interagir mais.

A terceira novidade... e ela tem tudo a ver com a criação da página no Facebook, é que após alguns anos, tenho a suspeita de que estou voltando a querer opinar. Passei muito tempo quieto, falando só do meu "mundo interior", sem expor muito as minhas opiniões por estar bastante cético a respeito da utilidade delas. Por isso, a página no Facebook será muito interessante para debatermos algumas idéias.

Basicamente, por enquanto, é isso. Espero que curtam essa nova fase do blog!

=D

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

|::| Dos desejos para o próximo ano

Madruguei novamente. É como se o fim do ciclo ao qual demos o nome de "ano" me forçasse a pensar, a repensar e a me preparar para as novas escolhas que se abrem diante das possibilidades a que me expus ao longo deste ano.

Há momentos em que eu queria enxergar mais e saber para onde estou indo. Mas há vezes em que eu simplesmente gostaria de sentir a paz da crença de que absolutamente não é possível fugir do processo de se tornar o que se é. Mais cedo ou mais tarde, aqueles objetivos que se constroem a partir de nossas escolhas, e que chamamos de "missão", pedirão o nosso tempo e a nossa atenção.

Não sei se consigo viver fugindo de todas as responsabilidades que são criadas à medida que cresço em consciência. E, ansioso, confesso que isso me gera certo sofrimento. Saber que, inevitavelmente, colocar-me-ei diante dos desafios mais adequados à construção de mim mesmo gera, não raramente, um sofrimento que também é acompanhado por uma satisfação indescritível, devo confessar.

A dor e a alegria são amplificadas na mesma intensidade em que minha percepção do mundo cresce. Parece uma piada perceber que a percepção aumentada é, na verdade, uma tomada de consciência do tamanho de nossa ignorância. O que sentia, no início, como sendo percorrer um corredor estreito e escuro, mostra-se, com o tempo, ser vagar como que aleatoriamente num espaço sem limites, coberto de sombras. Talvez eu possa dizer que o tempo me faz mais consciente do tamanho do desconhecido. Sim, sinto que posso descrever assim.

Viver, que na infância parecia como que andar sob uma linha fina e sólida que seguiria o fluxo simples de nascer, crescer e morrer vai ganhando complexidade. Adicionam-se etapas, estendem-se momentos, retarda-se conquistas, adiantam-se acontecimentos. E a vida vai tornando-se muito, muito mais. Surgem questões sobre o como viver. Sobre o que fazer. Sobre o por que fazer. Sobre o quando. E parece sobrar pouco tempo para aquela falsa sensação da linearidade da vida.

Agora sinto-me caminhando sem direção sobre uma faixa de possibilidades grande o suficiente para me confundir, para me enganar e para fazer eu me encontrar. Perder-se em si mesmo é o mesmo que se encontrar?

Estamos tão aquém daquilo que prometemos a nós mesmos enquanto sociedade, enquanto grupos, enquanto indivíduos. Somos hipócritas, pouco conscientes, pouco confiantes, muito pouco confiáveis e bastante desconfiados. Ainda encontramos a opressão de mulheres, a discriminação de negros e a crueldade com homossexuais. Ainda usamos a religião para dominar as mentes, a política para explorar os povos e a hierarquia para massagear nossos egos. Ah, sim, como estamos aquém daquilo que poderíamos estar...

Contudo, certamente as pequenas revoluções - essas que acontecem na nossa mente, nos nossos pequenos grupos - continuarão colocando aqueles que se permitem o crescimento em caminhos repletos de possibilidades bem mais atraentes. A esperança de um mundo novo nunca morre e se renova diariamente através da nossa capacidade de nos reconhecermos, mesmo que por poucos instantes, nos outros, percebendo assim que não há mal ou bem que recai apenas sobre aqueles que nos cercam e que cada ganho ou perda individual é sempre também um ganho ou perda para a coletividade.

E o ano novo mostra-se sempre um ritual que oferece novas potencialidades, reforçando a nossa vontade de recomeçar, de fazer melhor e de mudar. Trazendo de volta a esperança de que somos capazes de alcançar um patamar mais alto de satisfação pessoal e de realização coletiva.

Para mim, tenho definido que 2011 será um ano de fazer mais para a construção de ambientes mais justos. E faz parte dos meus desejos ver que mais pessoas permitir-se-ão abandonar velhas idéias, paradigmas equivocados e convicções que prometeram trazer vida em abundância, mas que distorcidas só trouxeram escravidão das mentes e opressão das gentes.

Feliz 2011!